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Mulher Maravilha-Crítica


A DC estava em maus lençóis , Homem de Aço era um filme interessante , mas não fazia jus ao histórico do personagem , e para piorar , acabou sendo ofuscado em uma continuação que acabou dando mais destaque para o popular homem morcego - e qual o seria o problema disso ? É fácil culpar Zack Snyder , diretor dono de um apuro estético único , mas que se preocupa mais em criar momentos do que desenvolver a jornada ate essas cenas ; e o que falar do roteiro confuso de David Goyer e Chris Terrio ?Faltou alguém que realmente entendesse a ideologia dos personagens , algo que acabou ofendendo os fãs mais puristas que não queriam ver os seus heróis serem desconstruidos em tela , algo que o Snyder tentou fazer em Watchmen, sendo assim porquê criar expectativas para assistir Mulher Maravilha depois da bomba que foi o Esquadrão Suicida ?!Mas vamos lá , magoas passadas , e seguindo a regra de nunca criar expectativas , Mulher Maravilha é o filme que os fãs da DC merecem , respeita a personagem e o público.

A aventura começa em Temiscera , terra das guerreiras amazonas , que dedicam seus dias aos treinos incessantes para uma guerra que possa acontecer , assim somos apresentados a pequena princesa Diana , que desde criança já mostra ter um ímpeto de nobreza e honra ao querer defender seus valores culturais.O ponto de partida é a chegada do espião britânico Steve Trevor (Chris Pine) que acidentalmente cai na ilha sendo resgatado por Diana , sendo que ele estava sendo perseguido pelo exercito alemão mostrando um pouco do conflito que assola a Europa e deixando ela com sede por vingança (Antiope é morta por um dos soldados alemães) e ainda tendo como missão derrotar Ares , Deus da Guerra , já que na lógica da personagem , se ela derrotar Ares , isso dará fim em todas as guerras.Se em BvS e MoS a pressa para jogar o publico em cenas de ação era nítida , em Mulher Maravilha , Patty Jenkins constrói aos poucos o relacionamento dos personagens , nos mostrando o cotidiano das amazonas e a cultura delas , nada de subtramas , aqui a história é desenvolvida da maneira mais simples , algo que Richard Donner já havia feito em Superman , e que cai como uma luva para um filme de origem, afinal , Diana acredita sim no amor e no valor da vida , sua ingenuidade é cativante , o que acaba rendendo as melhores piadas do filme envolvendo o choque de cultura quando a personagem título começa a conhecer o mundo dos homens , algo que foi desperdiçado no filme solo do Thor .

Jenkins também faz escolhas narrativas óbvias , mas que alguns diretores parecem esquecer , basta reparar em como a fotografia muda de Temiscera para Londres , na primeiro as cores são lindas , dá vontade de morar na terra das amazonas com aquele maravilhoso visual praiano , já Londres é feia, suja e fria , o contraste fica nítido. E as cenas de ação ?!Repletas de energia , abusando um pouco da câmera lenta , mas que servem apenas para mostrar as proezas invejáveis das guerreiras amazonas , isso sem falar em toda a construção das cenas , nada é gratuito , tudo esta em seu devido lugar , é excelente como a personagem durante sua jornada vai crescendo e se tornando uma heroína de verdade , sem dúvida, um fator determinante que difere Mulher Maravilha dos filmes anteriores do universo expandido da DC.

Se a escolha da Gal Gadot gerou dúvidas ou ate mesmo o ódio de inúmeros fãs pela internet , podem ficar tranquilos , a atriz israelita cumpre bem o papel de heroína de ação conseguindo exibir vigor físico sem perder a feminilidade , e ainda desempenhado uma ótima química com Chris Pine , um ator que reconheço , foi um desperdício utiliza-lo aqui , ele facilmente poderia ser o lanterna verde. Bem , admito que os vilões do filme são bem medianos e unidimensionais , e os atores tem pouco a fazer em tela, Danny Huston sempre dá azar com esses tipos de escalações , e personagem de David Thewlis é bem ingênuo ao revelar para a heroína como ele pode ser derrotado .

Alguns vão reclamar do exagerado terceiro ato , mas isso é fácil de explicar , ate porque , se na ultima vez em que um filme da DC optou por ser mais simples , como aconteceu em Superman Returns , aonde o clímax final era o super levantando um pedra gigante , todo mundo reclamou , já que a plateia queria ver porrada. Sim , Mulher Maravilha pode ter seus defeitos , algo que veio da era Snyder ao utilizar os personagens como armas de destruição , mas Jenkins entende muito bem o conceito de herói , e consegue finalmente oferecer um filme protagonizado por uma mulher que se tornará relevante para a cultura pop e ficara marcado para sempre , assim como Christopher Reeve marcou o cinema em 1978.

Mulher Maravilha -4.5/5 Estrelas